Namoro Cristão: O “Livramento” que Todo Jovem Precisa Enxergar

Nos últimos dias, uma notícia tomou conta das redes sociais e gerou muita conversa sobre os bastidores dos relacionamentos. Um padre de Minas Gerais, conhecido por seus conselhos francos, compartilhou uma história de anos atrás que resume perfeitamente o que significa ter discernimento antes de dar o passo mais importante da vida terrena: o casamento.
Ele contou que, durante o aconselhamento pastoral, atendeu uma jovem noiva cujo parceiro havia lhe entregado uma lista com 13 exigências de mudanças que ela deveria fazer para se tornar uma “boa esposa”. Quando o sacerdote perguntou se ela também tinha feito uma lista para ele, a resposta foi dolorosa: o rapaz dizia que não precisava mudar em nada. Além disso, o padre notou um forte sinal de alerta: o noivo evitava a convivência com a família dela e forçava um afastamento familiar, além de demonstrar uma soberba imensa, como se estivesse fazendo um favor ao casar-se com ela. O conselho do clérigo foi cirúrgico: “Não marque a data do casamento”. O namoro acabou terminando tempos depois.
Como cristãos evangélicos, focados na Palavra e na saúde das famílias, nós assinamos embaixo e concordamos plenamente com a postura desse padre. O casamento é uma instituição divina e sagrada, mas entrar nele de olhos fechados é ignorar os avisos que o próprio Deus nos dá no período do namoro e do noivado.
O namoro não serve apenas para passear e planejar a festa; serve para observar o caráter. A soberba daquele rapaz, que se julgava perfeito enquanto colocava todo o peso da mudança nas costas da noiva, anula completamente o princípio bíblico do amor sacrificial. Como um homem vai liderar um lar em amor, como Cristo amou a igreja, se ele não tem a humildade de reconhecer que também falha e precisa crescer? O isolamento familiar que ele tentava impor também é uma tática perigosa de controle. Quem afasta você das pessoas que te amam antes do casamento, vai te trancar em uma prisão emocional depois dele.
O Que a Bíblia Diz?
Para entendermos a gravidade desses sinais de alerta à luz das Escrituras, precisamos olhar para o que a Palavra de Deus ensina sobre o orgulho, o controle e a mentira no relacionamento:
- Sobre a soberba de se achar perfeito: Provérbios 16:18 nos alerta solenemente: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda”. Um homem ou mulher que entra em um relacionamento achando que não precisa mudar em nada já manifesta um coração endurecido e soberbo, incapaz de praticar o perdão e o alinhamento mútuo.
- Sobre as exigências pesadas e o egoísmo: Em Filipenses 2:3-4, o apóstolo Paulo instrui: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros”. Uma lista unilateral de 13 exigências é o oposto da humildade cristã; é puro egoísmo e vaidade.
- Sobre o isolamento e o afastar-se do corpo familiar: A Bíblia exalta o valor do conselho e da comunidade. Provérbios 18:1 diz: “Quem se isola busca interesses egoístas e rebela-se contra o bom senso”. O parceiro que tenta afastar você da sua família e dos seus pastores está tentando eliminar a sua rede de proteção.
O Teste do Espelho Familiar: Olhe para os Pais
Aproveitando esse gancho tão necessário, quero deixar um conselho de ouro para todos os solteiros da nossa comunidade, algo que sempre repito no gabinete pastoral: Quer saber como seu futuro cônjuge vai te tratar daqui a alguns anos? Repare bem em como ele trata os próprios pais hoje.
Moça, preste muita atenção em como o seu noivo trata a mãe dele. Ele é ríspido? É desobediente? Ignora os conselhos dela ou fala com tom de superioridade?
E você, rapaz, observe com atenção como a sua noiva trata o pai dela. Existe respeito, honra e doçura, ou há amargura, grosseria e desdém?
A Palavra de Deus nos ordena a honrar pai e mãe (Êxodo 20:12), e esse é o primeiro mandamento com promessa. Os pais são as primeiras autoridades e o primeiro círculo de amor que recebemos na vida. Se uma pessoa não consegue respeitar, tolerar e tratar com dignidade e carinho aqueles que lhe deram a vida, que mudaram suas fraldas e que tudo sacrificaram por ela, o que te faz pensar que ela vai tratar bem você quando a novidade do casamento passar?
A paixão inicial funciona como uma anestesia, mas ela passa. Quando a rotina chegar, os boletos acumularem e os defeitos aparecerem, aquela pessoa vai tratar você exatamente com o mesmo padrão de comportamento que ela usa com os pais dentro de casa. Se tratam mal os próprios pais, imagina o que farão com você quando você contrariá-los.
Não ignore os sinais. Casamento não conserta ninguém; ele apenas amplifica o que a pessoa já é no namoro. Se há soberba, exigências unilaterais, desrespeito com a família ou isolamento, pare e ore. Deus muitas vezes usa o conselho pastoral e as circunstâncias para nos dar um livramento. Tenha a coragem de adiar ou romper o que for preciso hoje, para não chorar as lágrimas do arrependimento amanhã.


